Anhembi: Tribunal mantém reprovação das contas de 2023 mesmo após recurso da Prefeitura

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) decidiu manter o parecer desfavorável às contas de 2023 da Prefeitura de Anhembi, sob responsabilidade do ex-prefeito Lindeval Augusto Motta, mesmo após pedido de reexame apresentado pela atual gestão.

A decisão, relatada pelo conselheiro Dimas Ramalho, reforça o entendimento de que houve grave desequilíbrio fiscal no período, marcado por déficit orçamentário elevado, crescimento do endividamento e dificuldades no cumprimento de obrigações financeiras.

Déficit elevado e desequilíbrio nas contas

De acordo com o Tribunal, o principal fator para a reprovação foi o resultado negativo das contas:

  • Déficit orçamentário de 12,51%;
  • Déficits consecutivos ao longo da gestão;
  • Déficit financeiro superior a um mês de arrecadação.

O cenário evidenciou, segundo o TCE, uma trajetória de deterioração fiscal, com despesas superando receitas de forma contínua.

Irregularidades agravantes

Além do déficit, o relatório aponta problemas que agravaram a análise das contas:

  • Pagamento insuficiente de precatórios;
  • Atrasos e parcelamentos de encargos sociais;
  • Falhas operacionais em áreas como saúde e educação.

Para o Tribunal, esses elementos confirmam a existência de um quadro estrutural de fragilidade na gestão financeira do município.

Recurso não convence Tribunal

Após a emissão do parecer desfavorável, a Prefeitura de Anhembi, já sob comando do prefeito Jairo de Góis, apresentou pedido de reexame na tentativa de reverter a decisão.

No recurso, a administração alegou:

  • Frustração de receitas por fatores externos;
  • Adoção de medidas de contenção de despesas;
  • Regularização de pendências por meio de parcelamentos.

No entanto, os argumentos foram considerados insuficientes. O Tribunal entendeu que:

  • Não houve comprovação concreta das justificativas;
  • As medidas adotadas não foram eficazes;
  • O problema não era pontual, mas recorrente.

Decisão reforça responsabilidade fiscal

Na decisão final, o TCE acompanhou manifestações técnicas e do Ministério Público de Contas, votando pelo não provimento do recurso e pela manutenção da reprovação.

O entendimento consolidado é de que a gestão descumpriu princípios básicos da responsabilidade fiscal, comprometendo o equilíbrio das contas públicas e gerando impactos para os exercícios seguintes.

Próximos passos

Com a decisão do Tribunal, o processo segue agora para a Câmara Municipal de Anhembi, responsável pelo julgamento final das contas.

Os vereadores poderão:

  • Confirmar a reprovação, seguindo o parecer técnico;
  • Ou, com quórum qualificado, afastar a decisão do TCE.

Síntese

Mesmo com a tentativa de reversão por meio de recurso, o Tribunal de Contas foi categórico:

  • as contas de 2023 da gestão de Lindeval Motta permanecem reprovadas, consolidando o entendimento de que houve falhas relevantes na condução fiscal do município.

A decisão reforça o alerta sobre a importância do equilíbrio entre receitas e despesas e coloca o tema no centro do debate político local.

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