Decisão do TJSP contra Rafaela Góis agrava crise de governo que já enfrenta investigações sobre merenda escolar e serviços mecânicos.

A administração do prefeito Jairo de Góis vive um período turbulento. Enquanto o gabinete tenta conter o avanço de duas frentes investigativas na Câmara Municipal, uma nova derrota vinda do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) atinge o núcleo familiar e financeiro do governo. O Tribunal manteve a indisponibilidade do Hotel Pousada Divino Espírito Santo, atual RIU Hotel, registrado em nome da primeira-dama e ex-vereadora Rafaela Souza de Góis (Processo TJSP nº 4028881-11.2026.8.26.0000).
O Fantasma do Passado e o Hotel de R$ 1,3 Milhão
A decisão judicial, de março de 2026, negou o pedido de Rafaela para liberar o imóvel que recebeu por doação aos 12 anos de idade. O desembargador Sergio Coimbra Schmidt destacou que a transação possui contornos de “negócio jurídico simulado”.
A investigação aponta que o hotel — avaliado em R$ 1,3 milhão — foi doado por um Diretor de Obras que recebia menos de dois salários mínimos, tendo como real beneficiário o ex-prefeito Ruy Ferreira de Souza, pai de Rafaela. Além da ocultação de patrimônio, a justiça relembrou que o hotel foi usado em um esquema de locação ilegal para a própria Prefeitura, violando a Lei Orgânica do Município.
Crise no Prato e na Garagem
Se nos tribunais o cerco se fecha contra a primeira-dama, no Legislativo o governo Jairo de Góis enfrenta uma “tempestade perfeita”:
- CPI da Merenda: Uma Comissão Parlamentar de Inquérito investiga denúncias graves de irregularidades no fornecimento de alimentação escolar, tocando em um tema sensível para a população.
- Comissão Processante (CP): O governo também é alvo de uma CP que apura possíveis fraudes em serviços mecânicos contratados pela municipalidade.
- Cassação recente: Vale lembrar que este novo bloqueio judicial ocorre logo após Rafaela de Góis ter sido cassada como vereadora, o que já havia fragilizado a base de apoio do prefeito.
Análise: Um Governo sob cerco
Para observadores políticos locais, a situação é sem precedentes. A manutenção do bloqueio do hotel pela 7ª Câmara de Direito Público retira o argumento de “perseguição política” e ancora as suspeitas em evidências técnicas e financeiras robustas.
A conexão entre os esquemas do passado (citados no acórdão do TJSP) e as investigações atuais (merenda e mecânica) cria uma narrativa de continuidade administrativa que a oposição deve explorar. O desembargador foi enfático ao manter o bloqueio para garantir que o erário seja ressarcido, afirmando que o levantamento da medida poderia causar danos irreparáveis aos cofres de Anhembi.
Com a primeira-dama impedida de movimentar um de seus principais bens e o prefeito acuado por comissões que podem levar à cassação, o futuro da gestão Jairo de Góis entra em contagem regressiva sob o olhar atento do Ministério Público e da população.